Misturar lubrificantes industriais pode causar falhas? Entenda os riscos para seus equipamentos 

Misturar lubrificantes e fluídos hidráulicos pode parecer uma solução simples quando é necessário completar o nível de óleo de um equipamento. No entanto, colocar um produto diferente sobre o fluído que já está no sistema pode alterar suas características físico-químicas e comprometer a proteção dos componentes. 

O risco não está apenas na marca ou no nome comercial do produto. Lubrificantes podem apresentar diferenças na composição do óleo base, nos pacotes de aditivos, na viscosidade e nas especificações de aplicação. 

Por isso, antes de misturar produtos, é importante avaliar se eles são realmente compatíveis e se a combinação atende às condições de operação do equipamento. 

Por que os lubrificantes não são todos iguais? 

Lubrificantes e fluídos hidráulicos são formulados para atender necessidades específicas de operação. Mesmo produtos destinados a aplicações semelhantes podem apresentar características diferentes. 

A composição normalmente envolve três elementos principais: óleo base, aditivos e, dependendo do produto, componentes específicos responsáveis por determinadas propriedades de desempenho. 

Essa combinação influencia fatores como capacidade de proteção contra desgaste, resistência à oxidação, comportamento em diferentes temperaturas e compatibilidade com os componentes do equipamento. 

Por isso, dois lubrificantes com a mesma viscosidade nominal, por exemplo, não são necessariamente equivalentes. 

O que pode acontecer ao misturar lubrificantes? 

A mistura pode ser tecnicamente possível em algumas situações, mas não deve ser presumida como segura apenas porque os produtos possuem aplicações semelhantes. 

Alteração do desempenho dos aditivos 

Os aditivos são responsáveis por diferentes características do lubrificante, como proteção contra desgaste, controle de oxidação e resistência à corrosão, eles podem melhorar, suprimir, ou adicionar novas características aos fluídos.

Quando pacotes de aditivos diferentes são combinados, pode haver interação entre seus componentes. Dependendo da formulação, isso pode reduzir a eficiência de determinadas propriedades do lubrificante. 

Mudança nas características do óleo 

A mistura também altera as propriedades finais do fluido. Mesmo quando os produtos apresentam viscosidades próximas, a combinação pode resultar em um comportamento diferente daquele previsto originalmente pelo fabricante do equipamento ou do lubrificante. Isso pode afetar a capacidade de proteção dos componentes e o desempenho do sistema. 

Formação de depósitos ou instabilidade 

Em determinadas combinações incompatíveis, podem ocorrer alterações físicas e químicas no lubrificante, como formação de depósitos, separação de componentes ou perda de estabilidade. Esses efeitos podem prejudicar a circulação do óleo e comprometer a lubrificação. 

Misturar lubrificantes sempre causa falhas? 

Não. A mistura não significa automaticamente que uma falha ocorrerá. 

Existem situações em que determinados lubrificantes podem apresentar compatibilidade entre si. Entretanto, essa compatibilidade precisa ser avaliada tecnicamente, considerando a aplicação e as especificações dos produtos. 

O problema está em tratar qualquer lubrificante como substituto direto de outro sem verificar suas características. 

Em equipamentos críticos, uma decisão aparentemente simples pode gerar consequências importantes para a confiabilidade do ativo. A premissa a seguir é: na dúvida não misture.

Quais fatores devem ser avaliados antes de uma mistura? 

A avaliação de compatibilidade deve considerar mais do que a viscosidade indicada no rótulo. Óleo base Lubrificantes podem utilizar diferentes tipos de óleo base, com características distintas de desempenho e compatibilidade. A combinação de bases diferentes precisa ser avaliada conforme a formulação e a aplicação. 

Pacote de aditivos 

Produtos podem utilizar diferentes tecnologias de aditivação. A interação entre esses componentes deve ser considerada antes de qualquer mistura. 

Viscosidade 

A viscosidade influencia diretamente a formação do filme lubrificante e a proteção das superfícies. 

Utilizar um produto com viscosidade inadequada pode comprometer a lubrificação mesmo que o óleo apresente outras características compatíveis. 

Condições de operação 

Temperatura, carga, velocidade, tipo de componente e ambiente de operação também devem fazer parte da avaliação. 

Um lubrificante adequado para uma determinada aplicação pode não atender às exigências de outro equipamento. 

O que fazer quando é necessário completar o nível do óleo? 

Quando o nível do lubrificante está abaixo do recomendado, o ideal é identificar primeiro qual produto está sendo utilizado e verificar sua especificação. 

Se houver necessidade de utilizar outro lubrificante, a compatibilidade deve ser confirmada tecnicamente antes da aplicação. 

Em determinadas situações, pode ser mais adequado realizar a substituição completa do lubrificante e executar a limpeza necessária do sistema, evitando manter uma mistura cuja composição e desempenho não sejam conhecidos. 

A decisão deve considerar a criticidade do equipamento, as recomendações do fabricante e as condições reais de operação. 

Como evitar problemas relacionados à mistura de lubrificantes?

A prevenção começa com a padronização da gestão da lubrificação. 

Um plano de lubrificação deve estabelecer quais produtos são utilizados em cada equipamento, suas especificações, pontos de aplicação, frequências e procedimentos de abastecimento. 

Essa organização reduz a possibilidade de aplicação de produtos incorretos e facilita o controle dos lubrificantes utilizados na planta. 

Além disso, a identificação adequada dos recipientes e o treinamento das equipes ajudam a evitar erros durante o abastecimento e a reposição. 

Análise de óleo ajuda a acompanhar a condição do lubrificante 

Quando existe dúvida sobre a condição de um lubrificante ou suspeita de alteração em suas características, a análise de óleo pode fornecer informações importantes para a tomada de decisão. 

O monitoramento permite acompanhar a degradação do fluido, identificar contaminações e observar sinais de desgaste dos componentes. 

Integrada à manutenção preditiva, essa prática ajuda a transformar a lubrificação em uma atividade baseada na condição real do equipamento, e não apenas em intervalos predeterminados. 

Lubrificação adequada contribui para a confiabilidade dos ativos

Misturar lubrificantes sem avaliar a compatibilidade pode comprometer propriedades importantes do fluido e aumentar os riscos para os equipamentos. 

Por outro lado, uma gestão estruturada da lubrificação permite especificar os produtos corretamente, padronizar processos e acompanhar a condição dos lubrificantes ao longo da operação. 

A Nexux® atua com soluções em lubrificação industrial e manutenção preditiva, apoiando empresas na estruturação de processos que contribuem para maior confiabilidade, disponibilidade e vida útil dos ativos. Essa atuação está diretamente relacionada à missão da empresa de elevar a confiabilidade dos ativos e gerar disponibilidade operacional. 

Antes de misturar ou substituir um lubrificante, portanto, o mais importante é entender as necessidades do equipamento e avaliar tecnicamente a compatibilidade dos produtos. 

Uma decisão baseada em especificações e na condição real do ativo ajuda a reduzir riscos e preservar o desempenho do sistema.

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